segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Por uma decoração mais preciosa (ou decorando a casa com um Tichum)

Temos mania de comprar cacarecos por aí. Acumular enfeites e objetos só porque são bonitos ou "estavam por um preço ótimo!". Eu me incluo nessa lista, não me faço de inocente não. Adoro comprar um apetrecho novo para cozinha ou alguma coisinha "superfuncional e bonitinha" para o escritório. Mas pelo menos no que se trata de objetos de decoração, tenho tentado só guardar e ter coisas que realmente me tocam.

E é pensando nisso que não tenho dúvidas quando, em alguma viagem feliz, encontro um objeto de decoração que me agrade. Esse objeto vai me lembrar dos momentos legais que passei toda vez que olhar para ele.

Os quadros que tenho na minha sala também não estão lá por acaso. Nenhum deles foi comprado em galeria ou loja de decoração. Três foram feitos por mim durante a faculdade de artes plásticas (época que eu guardo com muito carinho no coração); um eu fiz nos meus primeiros meses em São Paulo (quase como uma terapia); um foi presente dos meus pais e o outro é um anúncio de um grupo circence dinamarquês, discretamente surrupiado para mim, em um dia lindo, por um amigo querido. 

Eles podem não ser tão bonitos como os dos exemplos citados no começo do parágrafo, mas colocam um sorriso no meu rosto toda vez que olho para eles.

Essa semana minha parede de quadros ganhou dois novos exemplares. E esses têm uma história muito especial para mim.

Desde que eu me entendo por gente, meu avô cultivava o hobby de criar coisas, ou "Tichuns", como ele mesmo chamava suas invenções. Um Tichum poderia ser desde um novo banquinho para a casa de bonecas até um apetrecho para matar abelhas. Tudo devidamente construído numa minimarcenaria cheia de coisinhas que ele tinha perto da lavanderia da casa.

Nós, os netos curiosos, não podíamos mexer muito (tinha coisa que podia arrancar o dedo!!) mas adorávamos brincar com as ferramentas!

O armário de Tichum do meu avô
Quando vovô se foi no mês passado, pedi para minha avó a chave do armário dos Tichuns e perguntei se podia pegar alguma coisa de lembrança. Passei um tempão mexendo por lá (pensando na cara feia que eu ia receber se eu estivesse mexendo ali 20 anos atrás! hihihi), tanta coisinha guardada... Sabe aquele monte de coisa que a gente guarda, pois pode precisar para algum "projeto craft" um dia?!? Pois é, acho que ele pensava o mesmo. Daí me dei conta que o meu DNA de criadora, cheia de invencionices, que eu achava ter vindo da minha mãe, veio de um pouco antes.

E acho que foi esse mesmo DNA que me fez escolher três objetos em especial: um molho de chaves antigas (que estavam presinhas em um arame); uma chave antiga com a base de madeira e um arame que a prendia a porta, e um conjunto pequenino de chaves de fenda (que depois minha avó contou que era das bicicletas da minha mãe e das minhas tias quando elas eram crianças!).

O conjunto de chaves de fenda tá na minha "caixinha de Tichum", para trazer inspiração. Já as chaves... Eu achei elas penduradas na porta do armário do meu avô tão bonitas que sabia exatamente o que iria fazer quando as escolhi.





Agora, além do sorriso no rosto quando olho para a minha parede de quadros, eu também sinto um bocado de saudade.

17 comentários:

P! disse...

Mirella, com certeza um post que vai fazer muita gente relembrar o passado. Na casa dos meus bisavós tinha um quartinho com ferramentas e todo tipo de coisa guardado. Quando eles se foram eu não tinha muita idade pra pensar em guardar algo, mas guardo no coração as palavras e o carinho deles, o cheiro da casa e as cores do jardim. Sempre bom relembrar.
Beijos

Polyana disse...

Mirela, que lindo! me emocionei... sou muito apegada à minha família tb... e tudo é especial quando falo em qq um deles... um bj pra vc!

Eliane M. disse...

Simplesmente lindo, bjs.

acasinhaencantada.blogspot.com

Andressa disse...

Esse post me fez lembrar do meu pai, que tb já se foi...e que adorava guardar coisas e criar coisas tb.

Quando olhei as fotos das chaves transformadas em quadrinhos, acho que entendi perfeitamente o tamanho do significado delas para você e me vi tomada pelos mesmos sentimentos. Escorreram lagriminhas nos cantinhos dos olhos. ^^

Acho que talvez seja hora de eu ir procurar algum Tchum entre as velhas ferramentas do meu pai.Para matar a saudade e me arrancar um sorriso toda vez que olhar para algum cantinho da minha nova casa.

Obrigada por partilhar algo tão doce. Bjocas!

Marina disse...

Lágrimas nos olhos de quem também perdeu um avô crafter...

Anônimo disse...

Eita Mirela1!!!
To com inveja !!
Ficou muito massa!!
Valeu prima!
bJÃO
Mateus Diniz

Ceo do Lar disse...

Os quadros com as chaves ficaram simplesmente lindos e melhor ainda conhecer a historia por tras deles!

Andreia Lica disse...

Adorei a sua "estoria", me fez lembrar do meu querido vôzinho..que tem um lugar cativo e especial dentro do meu coração.

Bjão

http://andreiarenovandoereciclando.blogspot.com

Anônimo disse...

Menina, papai já fez a festinha la no tichum de vovô, o mais engraçado eh ele mostrando a vovó o que pegou, e explicando para que ele vai querer e chorando. Tem muitos tichumzeiros nessa família! Ficou lindo seus quadros! Bjao.
Gigi.

Déia disse...

Olá Mirela,
que coisa masi linda esse cantinho da sua sala..E cheio de histórias, o que o torna ainda mais belo e especial!
Amei seu banquinho verde e as flores!
super bom gosto!
bjokas

Anônimo disse...

Precisa dizer que fiquei roendo?!
Tô querendo ir em CG só pra pegar alguma”lembrança”pra mim! Todo mundo pegou alguma coisa do tichum.... Mas eu me divertia mesmo no escritório, acho que vou querer alguma coisa de lá.
Ai de quem mexesse ali há alguns anos atrás!!!! Eu adorava prender coisas naquele negócio que apertava a madeira pra pessoa poder furar ou serrar, que ficava em cima da mesinha, sabe qual é? E lembro de cada banquinho da casinha e da caixinha q ele fez pra mim!
Saudades.... (chorando)
Beijão
Mimila

PS: Adorei o quadrinho, e me lembro demais dessa chave de madeira!

Ingrid Luiggi disse...

Feliz de ver os comentários dos primos por aqui! Melhor do que guardar boas lembranças de vovô é saber que temos uns aos outros...
Te amo hermanita!!!

Edilaini disse...

Só não chorei, pois, estou no meu trabalho, também perdi, meu avô, a um ano, ele também tinha muitas ferramentas guardadas e objetos, ele adorava uma "gambiara", inventar moda, consertar, criar,guardar materiais que aos olhos dos outros poderia ser lixo, mas para ele aquilo um dia teria utilidade e sempre tinha, ele era muito criativo,ficava impressinada com o seu talento.E quando ele partiu, fomos procurar alguns documentos para o inventário, também mexemos em suas ferramentas e objetos, eu queria um ármario de madeira que ele tinha, tava bem velho,com cupins, mas era lindo, eu tinha várias ideias para restaura-ló, mas um tio meu pegou ele infelismente, mas consegui 4 coisinhas bem legais, uma cadeira de madeira antiga, uma caixa de ferramento de madeira(vazia,feita por ele, suas fotografias e um estojo também de madeira... Sempre que vejo esses objetos lembro dele...

Ana Matusita disse...

Acho que foi dos textos mais emocionados (e emocionante) que li nos últimos tempos, até porque decorar a casa pra mim só faz sentido se for desse jeito, com as lembranças e as queridices de família.
Uma lindeza as chaves da sua saudade emolduradas!
bj

Anônimo disse...

Mirella
Que lindo tudo isso que vc fez!!!!!mas posso garantir que o mais lindo é saber o quanto vcs curtiram a família e esse Võ maravlhoso e poder curtir os bons momentos e lembranças .Que seus filhos tenham a mesma felicidade de ter uns avós assim pelo lado materno posso afirmar que sim ,mas com certeza os paternos tb serão maravilhosos!!!!
beijos
Cláudia

Dani disse...

Mirella, é minha primeira vez no seu blog. Me emocionei, chorei e achei lindos os quadrinhos...decorar pra valer é isso , é cercar-se de objetos que trazem aconhego recordações...

Clarice Filó disse...

Mirella, lindo teu blog, conhci hoje, através do facebook e uma postagem de uma amiga. meu sonho é ainda ter um atelie, bem simples e de bom gosto, vou conseguir ainda!!!!Faço pinturas em namoradeiras de gesso, curto isso e outras invenções!
abraços, Clarice

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